Ortognática

Mentoplastia - Cirurgia do Mento

 Na cirurgia da face e em particular na cirurgia dos maxilares, o mento (queixo) deve ser considerado como uma região autónoma da mandíbula, constituindo um dos 3 elementos fundamentais da cirurgia dos maxilares - o maxilar, a mandíbula e o mento.

 

O mento é uma das regiões que mais marcadamente contribuem para particularizar os traços da face. É fundamental no equilíbrio e na harmonia estética do rosto. Também desempenha um papel funcional decisivo, quer como ponto de ancoragem mediano de estiramento dos tecidos moles – pele, tecido celular subcutâneo, músculos e fascias, quer para a postura e função labial inferior. E não só do lábio inferior, já que a função deste influencia a do lábio superior porque formam uma unidade funcional.

 

Podemos detectar anomalias do mento nos três planos do espaço: o mento pode estar muito proeminente ou recuado (independentemente da posição sagital da mandíbula), pode ser muito alto (longo) ou baixo (curto), pode ser muito largo ou estreito. O padrão feminino é sempre mais ovalado que o masculino.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No entanto, a percepção das anomalias do mento nem sempre acontece. Ao espelho, os adultos mas não se fixam no mento. Olham mais para o tamanho e para a forma do nariz e das orelhas, procuram mais por rugas peribucais e “papos” nas pálpebras, estiram os tecidos submentonianos tentando disfarçar uma eventual e arreliadora papada, A primeira sugestão de alteração do tamanho e da forma do mento vem muitas vezes do cirurgião que se procurou para modificar o nariz. É comum recomendar-se a cirurgia do mento simultânea com a do nariz quando se percebe que as proporções e harmonia facial terão maior benefício. A cirurgia não é complicada e o resultado pode ser muito melhor.

 

São reconhecidas como inestéticas as assimetrias, o mento agudo e saliente (queixo de rebeca), as proeminências e excessos de altura associadas quase sempre a avanços da mandíbula (prognatismo). 

 

Curioso é notar que os deficits, excepto quando exagerados (micrognatismos), não são reconhecidos ou são bem tolerados. É comum que o recuo da mandíbula e do mento não sejam reconhecidos durante a infância e início da adolescência. Este recuo, quando associado a uma altura reduzida do mento contribui para dar ao rosto um aspecto mais infantil e por isso mais aceitável.

 

Contudo, estes deficits de crescimento são quase sempre confundidos pelos pais como excessos de crescimento do maxilar superior, subvertendo por completo a realidade. Pensa-se que só em 5% das situações clínicas o maxilar superior está verdadeiramente avançado. Pior, é que muitos dentistas também fazem a mesma confusão, aplicando aparelhos e extraindo dentes no maxilar que nada tem de anormal, o superior.

 

É claro que os resultados dentários destes tratamentos até podem ser “aceitáveis”. O pior, são os resultados estéticos, não durante a adolescência, mas nos adultos – flacidez, enrugamento, linhas de marioneta, papada, envelhecimento precoce, e roncopatia sócio-familiarmente incorrecta. Um mento pequeno e recuado não só altera a harmonia facial como contribui para o aparecimento prematuros de sinais de envelhecimento facial e de distúrbios associados ao sono - roncopatia e apneia obstrutiva do sono.

 

É tradicional a preocupação das senhoras relativa ao aparecimento da “papada”, redundância dos tecidos moles, na região submentoniana. Muitas procuram na lipoaspiração a solução, outras no “lifting” cervico-facial. Ambas as soluções são inadequadas em presença de um recuo mentoniano ou mandibular. O tratamento adequado passará sempre pelo reposicionamento anterior do mento, associado ou não à lipo ou ao “lifting”.

 

Osteotomias ou Prótese ?

 

Esta é a pergunta fundamental! As alterações do mento realizam-se ou pela manipulação do próprio osso ou pela colocação de implantes apropriados. Os implantes mentonianos são colocados por via cutânea, submentoniana ou através de uma incisão intraoral feita no vestíbulo bucal e, por isso, imperceptível. Nas osteotomias usamos sempre a abordagem vestibular.

 

A utilização de próteses tem 5 inconvenientes principais -

 

  1. A sua utilização é limitada porque só corrigem défices de volume e/ou projecção.

  2. Como são um material aloplástico podem infectar mais facilmente, o que obrigará à sua remoção.

  3. Não têm qualquer efeito no aumento do espaço respiratório superior.

  4. Podem, com o tempo, perder projecção e penetrarem no osso atingindo as raizes dentárias.

  5. As de boa qualidade são dispendiosas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A mentoplastia com osteotomias tem várias vantagens:

 

  1. Podem-se corrigir todos os problemas tridimensionais.

  2. Usa-se o próprio osso do doente, sendo remota a possibilidade de infecção.

  3. Quando bem executado, não reabsorve.

  4. Tem impacto respiratório porque estira músculos da língua e do osso hióide.

 

As próteses tem vantagem quando a quantidade de avanço é grande, mais de 10mm., já que com osteotomias o avanço é limitado pela expessura do mento.

 

A mentoplastia é frequentemente associada à cirurgia ortognática, maxilar e/ou mandibular.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estas cirurgias podem ser realizadas simultaneamente com a cirurgia do nariz, tendo em vista melhorar todo o contorno facial ou com o “lifting” facial.

 

Os cuidados pós-operatórios incluem dieta mole durante uma semana e 48 horas de repouso relativo.

 

A mentoplastia realiza-se sob anestesia local com ou sem sedação ou anestesia geral, não necessitando de internamento.

 

A actividade normal pode ser retomada ao fim de 3-4 dias.

 

Uma cirurgia facial bem sucedida é o resultado de um bom entendimento entre o doente e o seu cirurgião. Nas consultas prévias à cirurgia desenvolver-se-á a confiança, baseada em expectativas realísticas e no reconhecimento da exigente perícia do cirurgião. 

A. Matos da Fonseca

Médico | Cirurgião Maxilofacial

Director da Clínica da Face

Lisboa - Portugal

 

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