Tratamento das Deformidades da Face

A Clínica da Face é um centro médico-cirúrgico especializado no aconselhamento, acompanhamento e tratamento de portadores de anomalias de crescimento facial.

 

A sua actividade estende-se a outros tipos de doentes nomeadamente os que apresentam deformidades faciais de outras origens em particular aquelas que derivam de anomalias congénitas ou traumatismos da face.

 

Tendo em vista uma informação objectiva da população, e em particular dos candidatos a tratamento de deformidades da face, elaborámos este texto que relata as dúvidas que habitualmente os doentes ou seus familiares apresentam e as respectivas respostas baseadas nossa experiência clínica.

  

 

O que é uma deformidade maxilofacial?

 

É uma anomalia da posição do esqueleto ósseo maxilar e/ou mandibular, relativamente ao crânio, que tem como consequência um envolvimento negativo na oclusão dentária e/ou na estética facial.

 

À anomalia posicional podem associar-se alterações da forma e do tamanho dos maxilares. A existência de uma deficiência no crescimento da face nem sempre implica uma anomalia aparente.

 

As anomalias mais frequentes são: no sentido antero-posterior, a mandíbula numa posição avançada ou muito recuada em relação ao maxilar. No sentido vertical, a impossibilidade de fazer contactar os dentes anteriores (mordida aberta) ou uma exposição dentária e gengival excessiva (sorriso gengival) ou a existência de mordida profunda – os dentes incisivos colocados mais à frente impedem a visualização dos que estão atrás. No sentido transversal, as assimetrias. À deformidade maxilofacial poderão associar-se outras anomalias sendo as mais frequentes as que afectam o nariz e as orelhas, que serão corrigidas simultaneamente.

 

 

Quais são as principais causas destas anomalias?

 

A maior percentagem de doentes enquadra-se no grande grupo das anomalias de crescimento cuja etiologia dificilmente se esclarece. 

 

Na maioria dos casos as crianças crescem aparentemente sem qualquer problema facial ou dentário até aos 8-9 anos e só a partir daí se começam a notar sinais de desarmonia dentária e/ou facial. São os médicos-dentistas que habitualmente chamam a atenção para a existência de anomalias ou esclarecem os doentes sobre a possibilidade de tratá-las. 

 

 

Porque vêm os doentes à consulta? Quais são as formas mais habituais de manifestação do problema?

 

São três as razões que trazem os doentes à consulta: problemas de estética facial – o doente quer melhorar a aparência da face, problemas de estética dentária – o doente não gosta de ver a posição dos dentes anteriores e sintomas ou problemas funcionais – o doente tem dificuldades a mastigar ou a falar, ou tem dores mas articulações têmporo-mandibulares, na região pré auricular, o que pode ser confundido com uma otalgia (dor de ouvidos).

 

 

Como se trata uma deformidade maxilofacial (DMF)?

 

O tratamento correcto de uma DMF envolve dois tipos básicos de procedimentos que se complementam: a utilização de aparelhos ortodônticos fixos em ambas arcadas e cirurgia designada “ortognática”. Os objectivos do tratamento são a correcção das anomalias funcionais derivadas da eventual má-oclusão e respiratórias (roncopatia e ou apneia obstrutiva do sono) e, segundo o desejo dos doentes, a melhoria da estética facial.

 

 

Como é a sequência de tratamento?


Após a formulação do diagnóstico e do plano de tratamento ortodôntico e cirúrgico o doente inicia o tratamento ortodôntico. Este serve para colocar os dentes numa posição que permita, durante a cirurgia, não só posicionar os dentes numa relação estética e funcional aceitáveis como também dar ao doente uma aparência agradável e um espaço respiratório faríngeo amplo. Os aparelhos estarão presentes nas arcadas durante todo o período activo de tratamento.

 

 

Quanto tempo demora em média a preparação ortodôntica pré-cirúrgica?

 

O tempo de preparação depende das posições dentárias existentes. Em média, a preparação demora cerca de 12 meses. Se os movimentos dentários necessários para atingir as posições programadas forem muito amplos, a preparação será mais longa.

 

Os movimentos dentários devem ser lentos, biologicamente aceitáveis para que não subsistam sequelas dentárias após o tratamento. Estas sequelas (reabsorção radicular) podem levar à futura perda dos dentes afectados.

 

Muitos doentes podem ser operados logo após a colocação dos aparelhos, por apresentarem posições dentárias muito favoráveis.

 

 

Esta cirurgia é estética?


A nossa face constitui a nossa identidade para o meio que nos envolve.

 

O objectivo estético é tão importante quanto o funcional. Para os doentes com marcado défice estético é evidente que o objectivo facial é o mais importante. Muitos não só desejam como procuram a mudança. Cerca de 1/3 dos doentes não são operados por razões estéticas. Aqueles que procuram tratamento por alterações funcionais, por exemplo, porque terem uma mordida aberta anterior moderada, não desejarão, em princípio, alterar a sua fisionomia. Logo, o objectivo cirúrgico passará também pela manutenção da sua aparência anterior.

 

 

Que tipo de anestesia é usada?

 

Habitualmente é a anestesia geral a utilizada. Em casos seleccionados de cirurgia isolada da mandíbula os doentes poderão ser operados, sob anestesia local, com sedação consciente.

 

 

Quanto tempo de internado?

 

Os doentes são internados e operados no British Hospital. Nos últimos 5 anos, em mais de 90% dos doentes, o tempo médio de internamento é de 24 horas.

 

 

É necessária a transfusão de sangue?

 

Por princípio, não. São criadas condições de forma a reduzir ao mínimo as perdas de sangue: uso de hipotensão controlada, infiltração local de vasoconstritores, dissecção restrita e rapidez de processos.

 

 

A cirurgia demorará quantas horas?


Dependerá do plano cirúrgico. Pela experiência da nossa equipa e tendo em atenção as estatísticas da Clínica da Face, se estiver previsto operar só o maxilar superior ou a mandíbula, demorará cerca de 1 hora e meia e, no caso de cirurgia bimaxilar (maxilar e mandíbula) duas horas. Se necessitarmos fazer algum complemento cirúrgico do tipo mentoplastia (queixo) rinoseptoplastia (nariz), otoplastia bilateral (orelhas), poderá demorar mais 1 hora.

 

A cirurgia das deformidades da face é conhecida, no meio médico e cirúrgico, pela enorme quantidade de horas que tradicionalmente demora. As médias são tomadas tendo como padrão o tempo necessário para executar uma cirurgia bimaxilar. Mais de 90 % das equipas que em todo o mundo executam este tipo de cirurgia demoram entre 4 e 6 horas numa cirurgia bimaxilar.

 

 

Esta cirurgia apresenta muitos riscos?

 

Os riscos são os inerentes a toda a grande cirurgia executada sob anestesia geral. A especificidade da intervenção cirúrgica não aumenta o risco. Normalmente, os riscos diminuem quanto maior for a experiência dos médicos das equipas cirúrgicas.

 

 

A minha cara vai ficar diferente?


O trabalho da equipa médica consiste em utilizar todos os meios ao seu alcance para conseguir as modificações fisionómicas programadas e expectáveis. Para quem não está envolvido no tratamento é evidente que o que mais impressiona são a alterações faciais passíveis de atingir. Isto acontece nos doentes com défices estéticos marcados.

 

Toda a cirurgia será executada por via intra-oral. Não haverá cicatrizes cutâneas. As suturas serão reabsorvíveis.

 

 

E depois da cirurgia, vou padecer muito?


Tendo em conta a experiência da equipa e salvo alguma situação excepcional, logo após a cirurgia o doente é acordado e transita para uma “sala de recobro” onde beneficiará de cuidados especializados. Não estará entubado. A mandíbula estará livre para mover-se. Poderá falar ou alimentar-se após algumas horas. O edema facial será moderado e a medicação será administrada por via intravenosa. Esta medicação terá em vista controlar o edema, prevenir dores e infecções, e o reposicionamento hidroelectrolítico.

 

Sendo esta a evolução que normalmente registamos nas nossas cirurgias, há sempre que ressalvar casos especiais decorrentes da reacção do organismo e a sensibilidade que cada doente pode ter à dor ou ao edema.

 

 

Vou demorar a recuperar?

 

Na generalidade dos casos, após a alta hospitalar poderá alimentar-se convenientemente, recorrendo a uma dieta líquida durante dois dias ( use preparados hipercalóricos e hiperproteicos) e mole (o que desejar) até ao fim da segunda semana, altura em habitualmente que já deverão ter sido reabsorvidos os pontos de sutura.

 

Em condições normais poderá voltar à actividade profissional em 10 dias.

 

 

Vou ver situações semelhantes à minha?


É essencial, para que se estabeleça uma relação de confiança entre o doente e a equipa que o vai tratar, que aquele tenha acesso a situações previamente tratadas e que possa contactar com outros doentes cuja situação clínica possa assemelhar-se à sua. A Clínica facilita e estimula este convívio.




AS FOTOS ASSOCIADAS AO TEXTO PODEM SER CONSULTADAS EM "DIVULGAÇÃO"

 

 



Texto:

Dr. Matos da Fonseca

Médico, Cirurgião Maxilo-Facial

Director da Clínica da Face  

 

 

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