
O mento (queixo) e os malares (maçãs do rosto) são estruturas ósseas proeminentes que contribuem marcadamente para os traços da face. A projecção e forma destas estruturas podem ser modificadas. As alterações realizam-se ou pela manipulação do próprio osso do doente ou pela colocação de implantes faciais apropriados.
O mento é uma estrutura fundamental no equilíbrio e harmonia estética da face. Também desempenha um papel funcional decisivo, quer como ponto de ancoragem mediano de estiramento dos tecidos moles – pele, tecido celular subcutâneo, músculos e fáscias, quer para a postura e função labial inferior. E não só do lábio inferior, já que a função deste influencia a do lábio superior porque formam uma unidade funcional.
Na cirurgia da face e em particular dos maxilares o mento deve ser tido como um elemento autónomo da mandíbula.
Podemos detectar anomalias do mento nos três planos do espaço: o mento pode estar muito proeminente ou recuado (independentemente da posição sagital da mandíbula), pode ser muito alto (longo) ou baixo (curto), pode ser muito largo ou estreito.
A percepção das anomalias do mento nem sempre acontece. Ao espelho, os adultos olham mais para o tamanho e para a forma do nariz e das orelhas, procuram as rugas peribucais e os “papos” nas pálpebras, estiram os tecidos submentonianos tentando disfarçar uma eventual e arreliadora papada, mas não reparam no mento…
A primeira sugestão da necessidade de alterar o tamanho e ou a forma do mento vem muitas vezes do cirurgião que se procurou para modificar o nariz. É comum recomendar-se a cirurgia do mento simultânea com a do nariz quando se percebe que as proporções e harmonia facial terão maior benefício. A cirurgia não é complicada e o resultado pode ser muito melhor.
São reconhecidas como inestéticas as assimetrias, o mento agudo e saliente (queixo de rebeca), as proeminências e excessos de altura associadas quase sempre a avanços da mandíbula.
Curioso é notar que os deficits, excepto quando exagerados (micrognatismos), não são reconhecidos ou são bem tolerados.
É comum que o recuo da mandíbula e do mento não sejam reconhecidos durante a infância e adolescência. Estas anomalias de posição, quando associadas a uma altura reduzida do mento contribuem para dar à cara um aspecto mais infantil e por isso aceitável.
Contudo, estes deficits de crescimento são, quase sempre, confundidos pelos pais com excessos de crescimento do maxilar superior, subvertendo por completo a realidade. Pensa-se que só em cerca de 5% das situações clínicas, o maxilar superior está verdadeiramente avançado. O pior, é que muitos dentistas também fazem a mesma confusão, aplicando aparelhos e extraindo dentes no maxilar que nada tem de anormal, o superior.
É claro que os resultados dentários destes tratamentos até podem ser “aceitáveis”. O pior, são os resultados estéticos, não durante a adolescência, mas, mais tarde, nos adultos – flacidez, enrugamento, linhas de marioneta, papada, envelhecimento precoce, roncopatia acentuada e eventual apneia do sono.
Um mento pequeno e recuado, não só altera a harmonia facial como contribui para o aparecimento prematuros de sinais de envelhecimento facial e de distúrbios graves associados ao sono - roncopatia e apneia obstrutiva do sono.
É tradicional a preocupação das senhoras relativa ao aparecimento da “papada”, redundância dos tecidos moles, na região submentoniana. Muitas procuram na lipoaspiração a solução, outras no “lifting” cervico-facial. Ambas as soluções são inadequadas em presença de um recuo mentoniano ou mandibular. O tratamento adequado passará sempre pelo reposicionamento anterior do mento, associado ou não à lipo ou ao “lifting”.
Na cirurgia de avanço do mento, só se recorre a implantes se os avanços forem muito acentuados (mais de 8-12 mm.). É sempre possível, por via intra-oral, avançar o mento recorrendo a uma osteotomia para-basal do próprio (vide radiografias acima), fixando, depois do avanço programado, os segmentos entre si. Os implantes mentonianos, pré-formados, são colocados, ou através de uma incisão feita no vestíbulo bucal ou por via cutânea, submentoniana. Esta cirurgia pode executar-se a partir dos 16 anos.
O problema da utilização dos materiais sintéticos é sempre a possível infecção pós-operatória.
Os implantes malares podem ser colocados por via intraoral ou por via cutânea, através de uma incisão na pálpebra inferior.
A colocação de implantes malares faz-se habitualmente para dar à face uma melhor proporção do seu 1/3 médio e, assim, refinar os resultados.
Estas cirurgias podem ser realizadas simultaneamente com a cirurgia do nariz, tendo em vista melhorar todo o contorno facial ou com o “lifting” facial.
Os cuidados pós-operatórios incluem dieta mole durante uma semana e 48 horas de repouso relativo.
A cirurgia pode realizar-se sob anestesia local com sedação, não necessitando de internamento.
A actividade normal pode ser retomada, normalmente, ao fim de 10 dias.
Uma cirurgia facial bem sucedida é o resultado de um bom entendimento entre o doente e o seu cirurgião.
Nas consultas prévias à cirurgia desenvolver-se-á a confiança, baseada em expectativas realísticas e no reconhecimento da exigente perícia do cirurgião.

Texto:
Dr. Matos da Fonseca
Médico, Cirurgião Maxilo-Facial
Director da Clínica da Face
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